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Obesidade, Síndrome metabólica, Diabetes mellitus, Esteato-hepatite não alcoólica, Cirrose e Carcinoma hepatocelular

O mundo desenvolvido ou não, vive uma epidemia de obesidade. Os seres humanos residentes nesses países cursam com risco elevado de desenvolvimento de síndrome metabólica de resistência à insulina. Em geral, essa população evolui com diabetes mellitus, hipertensão arterial, além de aumento dos níveis sanguíneos de colesterol (sobretudo da fração LDL e triglicérides) e de hormônios como grelina, adiponectina e lepitina. Promove-se assim grande afluxo de gorduras ao fígado, órgão que revela baixa capacidade de exportação de ácidos graxos e lípides ao mesmo tempo em que sintetisa excessivamente fosfolípides e esteres de colesterol.

Desses pacientes, cerca de 10% evoluirão com esteato-hepatite não alcoólica, 30% a 50% em 3 a 5 anos com fibrose que progride para cirrose e, finalmente carcinoma hepatocelular em 5 a 7 anos, tendência evolutiva que se mostra mais rápida quando são portadores do vírus da hepatite C, ou evoluem com hemocromatose genética com risco além de 2 a 3 vezes de desenvolvimento desse câncer primário de fígado. Esse quadro grave apenas pode ser bloqueado caso esses pacientes sejam tratados valendo-se de dieta hipocalórica (1.200-1.500 calorias ao dia), realizando atividade física visando reduzir o peso corpóreo e o volume abdominal. Em paralelo, esses pacientes devem ser tratados com estatinas (redutoras da hipercolesterolemia), metformina e tiazolidenidionas (sensibilizadoras de insulina) para controle da hiperglicemia, vitamina E (antioxidante), pentoxifilina (redutora dos níveis elevados de fator α de necrose tumoral), probióticos/antibióticos (redutores da endotoxemia portal), orlistat (inibidor de lípase gástrica e pancreática). Fundamental que se controle a hipertensão arterial valendo-se de diuréticos ou blooqueadores β adrenérgicos, inibidores de enzima conversora de angiotensina II ou bloqueadores do canal de cálcio. A não resposta a essas medidas e, sobretudo aqueles sem que ainda não apresentem cirrose hepática, poderão ser conduzidos através de cirurgia bariátrica, visando o emagrecimento e bloqueio dos distúrbios metabólicos que apresentam. Frise-se que alguns deles não responsivos a essas atitudes, deverão ser tratados via transplante de fígado, uma vez que desenvolvam sinais de insuficiência hepática. Preocupa nessa população de pacientes o risco de reinstalação de lesão sobre o parênquima hepático pós essa medida terapêutica extrema, ou seja, com recorrência da doença e acionamento do mesmo fluxo anterior evolutivo, agora mais grave, pois se encontram em uso de imunossupressão antirejeição do novo fígado.

P.S. Dados mais extensivos sobre o tema procurar no livro publicado no CETEFI, “Como se Comportar Diante de Pacientes com Doenças Hepáticas”, da Editora Revinter: Rio de Janeiro 2009, p. 79.